30 outubro 2012

Crime contra a humanidade

Hoje, como ontem, o mundo dito civilizado despreza o diferente. Nossa escala de valores segue passo a passo a lavagem cerebral que recebemos desde a infância e nosso olhar não vai muito além do nosso próprio umbigo.


Ocupada em assistir e comentar a nova novela das nove, a sociedade brasileira ignora o crime contra a humanidade que está sendo cometido em seu próprio território, por seu próprio governo. Quem cala, consente...

Basta comparar alguns trechos da carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil, datada de 8 de outubro deste ano, com a mensagem enviada em 1855 pelo cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, ao presidente dos Estados Unidos, para percebermos que o nosso espírito de humanidade continua nas trevas, a ponto de não nos incomodarmos com esse novo genocídio. Quanta sabedoria, nas palavras desses índios; quanta ignorância, em nossa omissão!

Cacique Seattle, em 1855
O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra.
    Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exauri-la ele vai embora.

Indios Guarani-Kaiowá, em 2012
Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira.
    A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
    Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje.Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. No centro desse nosso território antigo estão enterrados os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
    Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS. 
     Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

27 outubro 2012

A escola que deseduca XIV - Que educadores são esses???

Fiquei com muitas dúvidas sobre a categoria em que deveria inserir este post. O certo seria na série "A escola tabu", mas, graças à menina Isadora, que criou o Diário de Classe mais lido do Brasil, os maus tratos e o abuso moral de que são vítimas nossos alunos da rede pública de ensino começam a ser divulgados em larga escala, através do Facebook. Eles mostram claramente como a escola pode também deseducar nossos alunos, de forma inclusive a provocar traumas.

Vejam por exemplo este vídeo e os comentários da Isadora, clicando aqui. Muito revelador este trecho do comentário dela:

"Quando postei um vídeo dia 25-09 de uma professora sendo agredida por um aluno, até agora tem 17.121 curtidas, 8.575 comentários e 26.953 compartilhamentos, tá postado aqui, é só olhar. Sabe quantos professores reclamaram da filmagem de celular do aluno nesse vídeo? Não vi nenhum... Agora, quando um aluno filma mostrando um professor agindo assim, eles são vítimas de uma ditadura das redes sociais..."

Outro vídeo bem interessante:





É engraçado que o Diário Catarinense publicou outro vídeo, dos alunos da mesma professora, criticando a Isadora por ter postado essa filmagem e dizendo que a professora é ótima etc. e tal. Realmente, as crianças e jovens brasileiros têm sua autoestima tão baixa que não se incomodam em serem chamados de MERDA por uma professora, em sala de aula!... Ou então eles foram manipulados pela direção da escola para se manifestarem a favor da professora, o que também seria um sinal de que sua personalidade já estaria sendo afetada. Tudo isto é muito sério, inclusive porque muitas vezes os próprios pais dos alunos são manipulados pela direção das escolas, quando não, influenciados pela mídia, que de modo geral só apoia a classe "docente", já que filho de jornalista estuda na rede particular, onde o professor pode ser demitido se se atrever a chamar a classe de MERDA...

Os comentários dos professores nas postagens da Isadora são um "espetáculo" à parte! Nós do EducaFórum fomos os primeiros a exigir a retirada da internet do Orkut "Professoras Assassinas", na década passada, por ser altamente ofensivo às crianças e jovens do Brasil, mas hoje nos arrependemos, pois, se o conteúdo ainda fosse acessível, poderíamos  comparar as mensagens daquelas "educadoras" com as postadas no Diário de Classe da Isadora. Tudo igual! Uma tremenda falta de respeito com a nossa infância e juventude, com seres em desenvolvimento que precisam receber exemplos de civilidade e não serem tratados como gado. Realmente, o Brasil é um país que detesta suas crianças e jovens, principalmente os mais pobres e aqueles que não se conformam em serem considerados cidadãos de segunda classe!

Nós também pedimos câmeras de vídeo em todas as salas de aula, demos essa sugestão para a Secretaria da Educação de São Paulo já em 2008, leia clicando aqui. A "resposta" dada foi a proibição de os alunos usarem o celular em sala de aula! Aliás, na rede pública de ensino, por aqui, os celulares são sumariamente confiscados e recebemos muitos apelos de pais revoltados por precisarem se comunicar com seus filhos devido a imprevistos, mas o celular apreendido simplesmente não é devolvido.

Parabéns, Isadora, continue firme, você está conseguindo mostrar para o Brasil inteiro a ESCOLA TABU, aquela que só poderia ser vista através do buraco da fechadura!

25 outubro 2012

Aluno impedido de entrar na aula: a SEE continua lamentando?...

No dia 8 de setembro publicamos o caso de uma aluna proibida de entrar na escola  por ter chegado com 8 (oito) minutos de atraso. Leia o texto clicando no link:

A história dessa aluna só foi parar na mídia porque se tratava de uma menina sem teto despejada do prédio onde estava abrigada e que precisou passar a noite acampada na rua, por isso se atrasou no dia seguinte, ao chegar na escola.

A Secretaria da Educação teve que responder à Folha de São Paulo, que questionou o comportamento da escola, e se posicionou desta forma, conforme publicação no próprio jornal: 

"A Secretaria da Educação do Estado lamentou que a aluna tenha sido impedida de assistir à aula e disse que o conteúdo seria reposto. Afirmou ainda que ia apurar a conduta da agente que atendeu Paula e Júlia."

Naquela ocasião, questionamos à Chefia de Gabinete da Secretaria da Educação, através do Twitter, da seguinte forma: a SEE disse que lamentou a aluna ter sido impedida de entrar na escola, mas nós cansamos de encaminhar casos de alunos barrados na escola por causa de atraso, nem na segunda aula eles podem entrar! O Chefe de Gabinete, Fernando Padula, respondeu no twitter: 

"Esses casos e denuncias devem ser encaminhados para a corregedoria setorial da educação, que fica no largo do arouche. Eles apuram!"

Respondemos ao Chefe de Gabinete: 

"Como assim, Prof. Padula? Para o jornal vocês respondem que lamentam a aluna ter sido impedida de assistir à aula e para os demais alunos quem "apura" é a Corregedoria?... A SEE desconhece então os regimentos das escolas?"

Trocando em miúdos para quem não tem filho na escola pública ou não conhece o dia a dia escolar: em sua maioria, os alunos que chegam atrasados SÃO BARRADOS MESMO E MANDADOS DE VOLTA PARA CASA, OU ENTÃO FICAM HORAS SENTADOS NO SAGUÃO DA ESCOLA, olhando para a parede e aguentando as chacotas dos colegas que passam por lá. Leiam outro post sobre o assunto, clicando aqui.

 O direito líquido e certo de o aluno poder assistir às aulas não é respeitado, nem mesmo na segunda aula. E a solução seria os pais encaminharem a denúncia para a Corregedoria da Educação?... Perder dias e dias de trabalho indo para o largo do Arouche? Iniciar uma apuração ou processo administrativo que dura anos e enfrentar as perseguições e represálias que fatalmente irão atingir seus filhos na escola???...

Não defendemos que o aluno deva entrar na sala de aula atrasado, atrapalhando o professor e os colegas! Defendemos que ele seja recebido na segunda aula, pois NENHUMA LEI DETERMINA QUE ELE POSSA SER IMPEDIDO DE ENTRAR NUMA AULA QUE AINDA NÃO COMEÇOU!

A partir da semana que vem, vamos solicitar à SEE os regimentos das escolas que impedem o acesso dos alunos à sala de aula, seja devido ao atraso, seja devido à falta de uniforme, seja por não efetuarem "contribuição espontânea" para a APM. Também vamos solicitar os regimentos das escolas que permitem a expulsão de alunos, a suspensão  e suspensão coletiva para fins de delação etc. Vamos então saber se a Secretaria da Educação lamenta ou não todos esses casos.

Se você não entende o que é uma "suspensão para fins de delação", leia clicando aqui.

24 outubro 2012

Entrevista com professor brasileiro na Inglaterra: confira!

Excelente entrevista com o professor brasileiro Deivis Dutra Pothin, que mora em Londres e trabalha na St Luke’s CE Primary School. Parabéns, professor, volte logo para o Brasil!!!


Leia um trecho:


CULPAR O ALUNO PELO INSUCESSO É FALTA DE PROFISSIONALISMO


Zero Hora – Depois de conhecer o sistema britânico de ensino, houve alguma mudança na sua percepção da situação educacional brasileira?

Pothin – Uma das primeiras coisas que aprendi logo que comecei a lecionar aqui é que culpar o aluno pelo insucesso é falta de profissionalismo e injusto com o próprio aluno. A mentalidade aqui na Inglaterra é de que é responsabilidade do professor preparar aulas que sejam interessantes, que desafiem os alunos e que promovam aprendizado. Outra mudança marcante na minha percepção da situação educacional brasileira é a falta de preparo do professor e de muitos coordenadores pedagógicos em promover aprendizado de todos os alunos. Sabe-se que ainda é prática comum em muitas salas de aula brasileiras a cópia ou passar a mesma matéria e atividade para todos os alunos. Isso gera uma série de problemas: ao planejar a aula apenas para o aluno mediano, os alunos com mais dificuldades provavelmente não conseguirão acessar os objetivos, enquanto, aos mais hábeis, sobra desmotivação pela falta de desafios. E a terceira questão que aprendi é a importância da qualidade da liderança no sucesso de todos na escola. No Brasil, apesar da dedicação de muitos diretores, vice-diretores, supervisores e coordenadores, muitos ainda não têm o preparo técnico necessário para gerir uma escola.

Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.

21 outubro 2012

A voz dos pais nº 5 - Pais esclarecendo outros pais


Recebemos hoje uma linda mensagem de Sonia Regina, uma mãe que nos escreve há algum tempo e em cuja escola os alunos são tratados aos berros, alguns professores os chamam de "burros" e os humilham na frente dos colegas, a direção da escola grita ou ironiza os pais que se atrevem a fazer alguma crítica. Além disso, a aula vaga corre solta, o bullying é praticado sem que haja qualquer trabalho pedagógico para incentivar os alunos à prática da solidariedade, aliás, em alguns casos são os próprios "docentes" a praticá-lo contra os alunos que lhes foram confiados...

Muito triste, mas nada diferente do que ocorre na maioria das escolas, não é mesmo? A diferença, quem a faz, são pais e mães como a Sonia Regina. Segue sua mensagem e nossa resposta:

Quero agradecer  a vocês do Blog EducaFórum... pois graças a ele venho aprendendo como defender meus filhos em uma escola pública.
Lendo o Blog de vocês descobri que nós pais não estamos sozinhos e que sim podemos entrar em uma escola pública para reclamar o direito de nossos filhos de cabeça erguida e sem medo de represálias.
Nos dois últimos anos foi muito difícil, porque para todos os lados que se corre não temos apoio e a coisa mais fácil de se encontrar são pais descontentes sem saber como se defender e defender seus filhos.
Todos os dias, quando levo meus filhos na escola, fico no portão esperando que se feche para ir para casa tranquila e lá se ouvem coisas absurdas. Lendo o Blog de vocês descobri que neste pontos somos culpados porque se lêssemos mais sobre direitos e deveres das crianças e adolescentes saberíamos como nos defender e defender nossos filhos. Não é fácil mas pode ser feito.
E agora sempre que ouvir um pai reclamar de algo darei o endereço de vocês online para que eles leiam e aprendam a se defender.
Obrigada pelo apoio e continuem assim. Se existissem mais pessoas como vocês aí sim teríamos um país justo e digno para se viver.
Sonia Regina, mãe de dois alunos da rede pública na cidade de São Paulo


Cara Sonia Regina,

Infelizmente não temos condições de responder de forma detalhada a todas as mensagens dos pais que nos procuram. No entanto, mesmo rapidamente ou durante as madrugadas, fazemos questão de escrever algumas linhas de incentivo e ficamos felizes de saber que alguns pais, como você, aprendem a reagir aos desmandos e autoritarismos da escola, lendo os textos e casos que comentamos aqui no blog. A melhor forma de defender os direitos de seus filhos na escola é a que você tem aprendido: enfrentar diretores de escola, supervisores de ensino e professores, de igual para igual e de cabeça erguida! 

Por isso, continue de olho em tudo o que acontece na escola de seus filhos e procure orientar outros pais. Apenas discordamos de um ponto da sua mensagem: os pais não são "culpados" por não lerem mais sobre os direitos e deveres de crianças e adolescentes. A maioria dos pais, simplesmente, não sabe onde buscar essas informações, outros não têm escolaridade suficiente para compreender certos textos, às vezes nem mesmo os artigos da legislação que publicamos em nosso blog, tão claros de se entender para quem tem um pouco de conhecimentos. Então é extremamente valiosa a ação de outros pais e mães, como você, que está disposta a divulgar e a retransmitir seus conhecimentos. São pequenas sementes que vão germinando, crescendo e aos poucos dando frutos. 

O nosso sistema de ensino está nas mãos de uma corporação que não tem compromisso com o futuro do Brasil. O "capital" mais valioso do país, ou seja, as crianças e adolescentes, costuma ser desprezado na escola, onde a maior preocupação  é "não dar trabalho" para diretores, professores, funcionários, supervisores e dirigentes de ensino, sendo que o trabalho é a ferramenta que promove o progresso de um país - ou não é??? Continue nos informando sobre a escola dos seus filhos e conte conosco para ajudarmos no que for possível. A imagem no topo do texto é uma homenagem para você e para todos os pais que nos apoiam com suas mensagens e comentários.

Grande abraço,
EducaFórum
Giulia Pierro - Vera Vaz - Cremilda Teixeira - Caroline Miles - Paula Carvalho

19 outubro 2012

A escola tabu nº 65 - Qual é o pior crime?

A mensagem que recebemos hoje de uma mãe vem mais uma vez confirmar que, na rede pública paulista, o aluno não passa de um número a serviço da corporação. A escola em questão é uma das "queridinhas" da Secretaria, com nota do IDESP suficientemente alta para garantir bônus e benesses para professores, funcionários e diretoria. 

O aluno? que não se atreva a ameaçar a meta atingida pela escola! Assim, por qualquer motivo fútil, ele é expulso. Leia a mensagem dessa mãe: 

Hoje estou precisando desabafar, estou triste, sou mãe e me sinto a pior de todas. Fui chamada hoje para retirar meu filho da escola porque ele atrapalhou a meta que a escola tem que alcançar em 40 dias. Meu filho foi parar na diretoria porque jogou o caderno no colega e segundo o diretor meu filho gritou com ele, assim disse que vai reunir o conselho e expulsá-lo... Ouvi meu filho também, ele tem 10 anos e distúrbio de atenção, mas durante este ano inteiro ele teve bom comportamento, não teve ocorrência nenhuma e aproveitou bem os estudos, socialmente também tem bom comportamento. Ele me contou que há algum tempo um garoto da sala de aula o provoca e a professora não liga para as queixas do meu filho, até que ele perdeu a razão jogando o caderno no colega. Foi no ato para a diretoria e chorando tentou explicar, mas o diretor não quis ouvi-lo, então ele tentou falar em tom mais alto, enfim por isso fui chamada na diretoria. Estou assustada pela decisão desse diretor e meu filho não quer ir para escola ...
Mãe de aluno de uma escola da DE Norte 2

Mais uma vez vamos questionar, na Secretaria da Educação, o comportamento pueril de um  diretor que não deixa falar uma criança de dez anos e a expulsa, alegando que o ato de um aluno atirar o caderno no colega pode comprometer a meta da escola! Isso, infelizmente, é  resultado da campanha que os sindicatos da "educação" fazem junto à mídia, responsabilizando o aluno e a família por tudo o que ocorre dentro da escola, desde questões disciplinares até a qualidade do ensino.

Agora vamos comparar os dois CRIMES: 
  • Uma criança de 10 anos atira um caderno no colega e acaba gritando com o diretor porque não é ouvida ao tentar se explicar.
  • O diretor da escola expulsa o aluno sem perceber a incompetência da professora que não soube lidar com uma questão disciplinar das mais banais possíveis.
A verdade é que as escolas só se preocupam com os índices (IDESP, IDEB), que mostram sua posição no ranking, o aluno é um mero acidente! Por sua vez, as Diretorias de Ensino e a Secretaria da Educação NÃO QUEREM TRABALHO NEM PROBLEMAS. Se os professores e os diretores não receberam treinamento para lidar com os alunos com um mínimo de psicologia, a escola que se vire! E a solução que as escolas costumam encontrar é a mais vil e sórdida possível: EXPULSAR os alunos. E ainda não entendem porque há tantos alunos fora do ensino fundamental ou médio?...

18 outubro 2012

Mês... de quais crianças?...



O verdadeiro aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente foi ontem, 12 de outubro. Ele entrou em vigor em 1990. Embora o Brasil seja um dos campeões mundiais de matança de crianças e adolescentes, tem muita "gente boa", cristã, temente a Deus, cumpridora dos seus deveres e pagadora dos seus impostos, que quer que eles sejam mais presos, em lugares piores e mais cedo... e se der, por que não para a vida toda? Por que não pena de morte? Afinal, nos Estados Unidos tem...

Esses pais e mães de família voltam-se contra os miseráveis, pedindo mais penalidades, mas são incapazes de lutar pela aplicação do Estatuto. São incapazes de assinar uma petição na internet porque "pode pegar depois", mas votam em assassinos declarados e espalham ódio em suas falas e escritos.

Que os poderes maiores que nós protejam as crianças e adolescentes das balas e das pancadas, da fome, da pobreza, das doenças, da exploração sexual, do frio, do desamparo, das humilhações, do racismo, do trabalho forçado e também da "gente boa" de coração de pedra. Amém.

Profª Drª Maria Helena Zamora
Doutora em Psicologia Clínica; Professora do curso de graduação do Depto. de Psicologia da PUC-Rio, do Curso de Especialização em Psicologia Jurídica da UERJ e da UNAMA (PA), Membro da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), Professora do Mestrado em Psicologia da Educação da UNIVERSO.

Texto divulgado pela Profª Glória Reis

16 outubro 2012

EE Prisciliana Duarte de Almeida - O fim da linha


Algumas escolas da região de Parelheiros têm sido castigadas por um grupo de professores e funcionários que provocam a discórdia dentro da comunidade escolar. Assim têm sido com a EE Lucas Roschel Rasquinho, a primeira das escolas cuja comunidade nos pediu ajuda, veja o histórico clicando aqui.

Esses professores e funcionários querem ter o direito de "ir e vir" à hora que bem entendem dentro das escolas, ou seja, não há pontualidade, assiduidade ou seriedade no trabalho pedagógico. Os poucos diretores que se atrevem a lhes cobrar trabalho, a lhes negar o ponto ou a se queixar deles à diretoria de ensino, são vítimas de complôs e manobras de toda sorte, visando seu afastamento. A estratégia usada é sempre a mesma: insuflar os alunos à baderna e a comunidade à revolta contra os diretores, chamando inclusive a mídia na porta da escola (na foto, membro da APEOESP durante manifestação em frente da EE Lucas, durante licença-prêmio da diretora).

Assim, a diretora da EE Lucas Roschel Rasquinho foi afastada devido a essa estratégia e a diretora da EE Joaquim Alvares Cruz desistiu espontaneamente, devido a ameaças de morte recebidas para forçar sua saída da escola. 

Agora é a vez da diretora da EE Prisciliana Duarte de Almeida, que há dez anos tenta conduzir a escola com mão firme, mas sofre os boicotes desse mesmo grupo de professores e funcionários que atuam na região. O resultado é uma escola esfacelada, com aulas vagas em proporções absurdas, recebemos inclusive diversas fotos de alunos largados no pátio durante o horário de aula. A fim de forçar o afastamento da diretora, tem ocorrido diversos casos de vandalismo em situações "misteriosas", seja na calada da noite, seja durante feriados e sempre em horários em que a diretora não estava presente na escola. Isso faz parte de uma "operação tartaruga", assim chamada pelos próprios professores e funcionários que promovem a baderna. Faz parte dessa estratégia manter total silêncio sobre quem estourou cadeados, arrombou portas, destruiu carteiras, pintou ameaças nas paredes etc. etc.

O dirigente da Sul 3, como já dissemos pessoalmente ao próprio durante reuniões na "finada"  COGSP, fica completamente alheio ou, em última hipótese, é conivente com a atuação desse grupo de professores e funcionários nas escolas da região. No caso das 3 unidades que têm sofrido esse domínio, a estratégia do dirigente foi estranhamente a mesma: encaminhar as diretoras para uma licença-prêmio (merecida, pois sempre foram ótimas funcionárias) a fim de "a poeira baixar". Antes de elas poderem voltar à escola, a baderna estava formada: no caso da EE Lucas Roschel Rasquinho, foi a manifestação da APEOESP na porta da escola, incitando a comunidade contra a diretora; no caso da EE Joaquim Alvares Cruz, a diretora recebeu diversas ameaças de morte durante sua licença-prêmio, até desistir de voltar à escola. Agora, no caso da EE Prisciliana Duarte da Almeida, durante a licença-prêmio da diretora, que deveria voltar à escola no final de outubro, a comunidade está sendo procurada para preencher abaixo-assinados que garantam o afastamento da diretora. Os professores e funcionários promotores da baderna estão muito engajados nessa empreitada, alegando para pais e alunos que "não é fácil tirar essa diretora, pois é efetiva". A manipulação da comunidade é realizada de forma muito fácil durante uma licença-prêmio, pois o que é divulgado para pais e alunos é que a diretora está mais uma vez "ausente". Aliás, mesmo antes de a diretora sair para licença-prêmio, funcionários da Prisciliana atendiam o telefone da escola e diziam que ela não estava, MESMO ESTANDO PRESENTE, e que quase nunca aparecia por lá...

Um dos motivos de discórdia que nos foram relatados por pais de alunos foi a negação da diretora para permitir a continuidade da cantina da escola, quando ela percebeu que a empresa que ganhou a licitação era "laranja" de uma inspetora de alunos, a qual, em lugar de realizar sua função na escola, cuidava desse "negócio". Após a diretora suspender as atividades da cantina, houve um quebra-quebra geral nesse ambiente e os alunos foram incitados à revolta contra a diretora, que os teria prejudicado com o fechamento da cantina... Durante a licença da diretora, a comunidade escolar está recebendo uma lavagem cerebral para que assine o abaixo-assinado visando o afastamento dela.

É muito triste que, pela terceira vez, uma "corja" de professores e funcionários relapsos, que usam os dias letivos para fazerem festinhas, confraternizações e complôs na escola, continue atuando impunemente na região de Parelheiros, castigando as escolas da região. A apuração preliminar realizada contra a diretora da EE Prisciliana no ano passado foi concluída sem que ela pudesse ser acusada de absolutamente nada. Por esse motivo a quadrilha resolveu usar armas mais sórdidas para provocar sua remoção. Do dirigente da Sul 3 nada podemos esperar, pois é, no mínimo, omisso. Contamos com a atenção da Secretaria da Educação para que intervenha nessa escola de forma efetiva e definitiva, devolvendo a paz à comunidade e afastando os elementos que promovem a discórdia.

ESTE DOCUMENTO ESTÁ SENDO ENCAMINHADO NA DATA DE HOJE AO PROF. FERNANDO PADULA, CHEFE DE GABINETE DA SEE, ASSINADO POR

EducaFórum
Pais, alunos, educadores e cidadãos que lutam pela escola pública e pela cidadania
Giulia Pierro - Vera Vaz - Cremilda Estella Teixeira - Caroline Miles

15 outubro 2012

A voz dos pais nº 4 - Como fica o aprendizado?




Recebemos mais uma mensagem de uma mãe, desesperada pela falta de compromisso e de retorno da escola dos filhos. A escola não é "das piores" do Estado (não é piada!), pois o IDESP 2011 está entre a nota 2 e 3...

Sou mãe de dois alunos da EE Padre Antão e venho reclamando há algum tempo da qualidade do trabalho  desenvolvido nessa escola. Meus filhos um está na 7ª série do ensino fundamental e outro no 3º ano do ensino médio. O meu filho do ensino médio há meses não tem todas as aulas,  visto que inúmeros professores faltam, fica todos os dias de 2 a 3 aulas sem professor, e por isso ele vive chegando cedo em casa, caderno em branco, sem atividades. Semana passada teve dia sem aula por conta de conselho, depois teatro. Segunda depois da eleição sem aula para arrumar a escola,  amanha 14/10/2012 meu filho do ensino médio mais uma vez não vai ter todas as aulas, pois vão dispensá-los   para uma confraternização do dia dos professores...

E como fica o aprendizado desses adolescentes? O mais novo vou tirar da escola, mas o mais velho está sendo extremamente prejudicado. Preciso de uma providência, não sei mais o que fazer. Já reclamei do excesso de faltas na escola, me deixaram falando... Meu filho com notas baixas, professores ameaçando de retenção, vice-diretora aos berros no corredor ameaçando-os, xingando. Vou enviar este e-mail para todas as esferas que conseguir e espero uma resposta.

14 outubro 2012

A voz dos pais nº 3 - Um caso de superdotação

Recebemos dos amigos Claudemir e Cristina a seguinte mensagem e queremos parabenizá- los pela firmeza e  confiança com que buscaram a solução para o problema de sua filha Valéria, perfeitamente alfabetizada aos 6 anos e obrigada a cursar o 1º Ano por razões burocráticas.


Giulia e Cremilda,

Agradecemos por serem uma voz que fala a favor dos pais e alunos, que na maioria das vezes são ignorados pelas escolas, Delegacias de Ensino, Secretaria da Educação. Para eles é como se realmente fossemos mudos, como se não tivéssemos voz, eles nem sequer querem nos ouvir.

Agradecemos pelos textos tão bem escritos, realmente vocês têm o dom da palavra e o usam muito bem.

Graças a Deus e à ajuda de vocês, que nos colocaram em contato com a Secretaria da Educação em um momento em que já havíamos tentado de tudo, quando a aceleração da nossa filha parecia impossível, quando parecia não ter mais nenhuma saída, em conversa com os dirigentes, foi exigido um laudo que comprovasse que a Valeria tinha altas habilidades. Mesmo sabendo que não tínhamos condições de arcar com os custos de tal laudo (pois é caro), mesmo assim foi uma luz no fim do túnel. Confiamos em Deus e corremos atrás, encontramos o Núcleo Paulista de Apoio à Superdotação que nos auxiliou no laudo. A Valeria fez todos os testes, foi comprovada a superdotação, e depois de uma longa batalha (desde fevereiro), finalmente ganhamos a “guerra”.

Com a apresentação do laudo, a Valeria foi automaticamente acelerada de série e está muito feliz, se adaptou muito bem à nova turma e à professora, retomou o interesse pela escola.

Continuem esse trabalho sem desanimar, pois sabemos que lidar com essa gente é um árduo trabalho e eles vencem na maioria das vezes pelo cansaço. Mas todo esse esforço não é em vão. Somos a prova disso. O que vocês fizeram por nós, sem nos conhecer, sem preconceitos, não tem preço. Até pessoas próximas a nós não entendiam a nossa luta, mas vocês abraçaram a nossa causa. Agradecemos por tudo!


Nós é que agradecemos o encontro com pais tão esclarecidos e corajosos, Claudemir e Cristina. Recebam essas flores em homenagem à sua "superdotação" em cidadania!

Pais de alunos com habilidades especiais, leiam a romaria que os pais da menina Valéria enfrentaram clicando aqui e aproveitem suas dicas. Se a escola dos seus filhos não tiver sensibilidade ou competência para entender a necessidade de uma reclassificação, como foi o caso da menina Valéria, busquem um laudo de superdotação.

08 outubro 2012

Beijinhos de coco para Gustavo Ioschpe


Querido Gustavo,

Permita-nos chamá-lo de querido. Somos mulheres que teimam em querer ser mães de todos os brasileiros. Que enorme pretensão, a nossa!...

Somos também aquelas que não concordam com você "em gênero, número e grau" - lembra? - mas acompanhamos a sua trajetória com muito interesse e sentimos orgulho deste filho tão corajoso, tão brilhante, tão à frente do tempo!

Seu último artigo na Veja nos deixou comovidas e espantadas! Nele você foi um enorme passo além do que costumamos reivindicar e sugeriu algo hoje inimaginável: que cada escola tenha um Conselho de Escola com um pai (ou mãe, né?...) na presidência. Imaginamos que você deve estar sendo, neste momento, bombardeado por milhares de profissionais da educação indignados com essa proposta. Ou talvez não, talvez eles tenham ficado tão pasmos quanto nós... ou até petrificados! rs

Saiba, querido Gustavo, que temos mais de 20 anos de luta pela democratização dos Conselhos de Escola, veja nosso artigo Gestão participativa na escola - A exclusão da comunidade,  publicado no livro Educação 2007, da Editora Humana. 

No entanto, nunca desejamos que a presidência dos Conselhos de Escola fosse, por decreto, atribuída aos pais de alunos, da mesma forma como discordamos que ela seja sumariamente atribuída ao diretor da escola, como aliás é na rede pública paulista. Os pais não tem nem mesmo o hábito da real participação nos Conselhos, pois em 99% dos casos seus "representantes" são escolhidos a dedo pelos diretores de escola, com a desculpa de que os pais "não participam" ou "não gostam de participar". Quase nenhuma escola (alguma o faz?...) promove uma real eleição do Conselho de Escola, convocando com antecedência a comunidade, para que os membros de cada segmento possam ser eleitos por seus pares e tornar-se seus efetivos representantes.

Está tudo por fazer, para que a participação dos pais e alunos seja real e democrática. Suspeitamos até que a eleição dos representantes de professores e funcionários também seja um jogo de cartas marcadas...

O primeiro passo para que o Conselho se torne um órgão realmente representativo da comunidade escolar é acabar com o diretor da escola na presidência. Meio caminho andado! A disputa pela presidência deveria ser uma nova etapa, após a eleição dos representantes dos 4 segmentos do Conselho: pais, alunos, professores e funcionários. Esse seria o momento em que a comunidade escolar poderia se reunir para esse objetivo comum  tão  importante, ou seja, eleger quem de fato pudesse representar todos os segmentos da escola da melhor maneira possível, promovendo a união da comunidade escolar. Eleger aquele que apresentasse as melhores condições e as melhores propostas para o progresso da escola e a qualidade do ensino. Poderia ser um pai ou uma mãe de alunos? Claro! Como também poderia ser o professor ou o funcionário mais preparado ou democrático da escola. Mais uma vez declaramos aqui que nossa luta não é "contra o professor ou o funcionário da escola", mas a favor do aluno e de sua educação.

De qualquer forma, o presidente do Conselho de Escola, da mesma forma como o prefeito ou o governador, não pode governar sozinho nem ter todos os poderes, inclusive o de convocar o colegiado para expulsar sumariamente alunos, como é tão comum em escolas de todo o país. 

Já sugerimos para a Secretaria da Educação que a eleição dos Conselhos fosse realizada no mesmo dia em todas as escolas, que a convocação fosse feita com muita antecedência e precedida de reuniões em que cada segmento ouvisse seus candidatos e pudesse conhecer suas propostas. Exatamente como uma eleição para cargos públicos. Somente assim poderíamos acreditar que os Conselhos de Escola estariam de fato preocupados com o progresso da escola e não com os interesses particulares da cúpula.

Parabéns, Gustavo, mais uma vez você nos surpreendeu! Mesmo com algumas divergências, nossos caminhos estão próximos e esperamos que seu último artigo possa nos ajudar a contestar Conselhos de Escola constituídos irregularmente e até corruptos, como neste caso, em que um bom aluno - bom de disciplina e de notas - foi expulso da escola após uma sessão de Conselho. Mas seu destino já estava traçado: a diretora já o havia avisado de que, se teimasse em querer ficar na escola, "faria de sua vida um inferno". E o fez.

Um beijo carinhoso das mães do
EducaFórum

04 outubro 2012

Expulsão via Conselho de Escola: por que só para alunos???


Já falamos aqui exaustivamente da ilegalidade e inconstitucionalidade da expulsão de alunos da escola, principalmente através do Conselho, esse órgão que deveria ser o baluarte da democracia na rede de ensino.

Ontem estivemos novamente no departamento jurídico da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo e mais uma vez ouvimos que esse procedimento é "legal". 

Ah, tá! Então, que tal voltar ao hábito de promover julgamentos em praça pública?  No mínimo, eles são abertos e mais democráticos do que as expulsões de alunos pelo Conselho de Escola,  realizadas entre quatro paredes e muitas vezes com a polícia na porta, impedindo a entrada da comunidade no recinto.

Se fosse justo os pares julgarem seus próprios pares, por que, então, professores e funcionários também não podem ser expulsos pelo Conselho de Escola? Por que o Conselho de Escola não pode julgar sumariamente o próprio diretor, quando ele comete irregularidades??? Professores, funcionários e diretores de escola são "menos iguais"?

O PROCESSO DE EXPULSÃO VIA CONSELHO SÓ VALE PARA O ALUNO, ESSE ESTORVO DA ESCOLA!

Releia clicando aqui como funciona a expulsão de alunos na rede pública paulista, onde imita-se um tribunal de verdade e onde o "réu" teria direito à defesa... Entre os membros do Conselho de Escola são "eleitos" o "ministério público", o "advogado de defesa" e o "juri". Durante a sessão, que pode durar várias horas, o "réu" é constrangido, humilhado e agredido verbalmente, inclusive por seus próprios colegas de escola e pais de outros alunos. A ata da reunião de Conselho? Manipulada a bel prazer e só entregue à família do "réu" através de advogado constituído, apenas se um juiz de verdade a requisitar!!! Não é interessante??? Para fornecer as provas que justificariam a expulsão do aluno, o "tribunal de mentirinha" não serve, para isso a direção da escola exige a determinação de um JUIZ DE VERDADE!


Isso  é  democracia,  Prof.  Herman Voorwald??? Já cansamos de mostrar, em vão, a ilegalidade  e  inconstitucionalidade  dessa  medida!  Então,  por  favor,  já  que   esse procedimento  vai  continuar,  determine   que   também  professores,  funcionários e diretores venham  a  ser  julgados,  condenados sumariamente e expulsos da escola por seus pares e pelos representantes de pais e alunos. Poderemos contar com esta determinação no ano de 2013?

03 outubro 2012

EXPULSÃO: ALERTA PARA OS PAIS DE ALUNOS

Se você receber uma intimação para reunião de Conselho de Escola, marcada a fim de expulsar seu filho, saiba que se trata de JOGO DE CARTAS MARCADAS! A expulsão já está decidida e será oficializada em uma sessão onde o diretor da escola (Presidente do Conselho) manipulará os presentes, constrangendo, humilhando seu filho e você mesmo. Não compareça a essa reunião, envie-nos imediatamente um e-mail com a data marcada, o nome da escola, a rede, a cidade e outros detalhes: educaforum@hotmail.com.

A expulsão de alunos é prática ilegal e inconstitucional. Um grupo de pessoas que se unem para praticar ilegalidades não passa de UMA QUADRILHA! Em todas as sociedades, o direito foi criado para acabar com os julgamentos em praça pública, onde qualquer um podia dedar e acusar inocentes. Um Conselho de Escola que se reúne para expulsar alunos está resgatando essa prática, com o agravante de fazê-lo de portas fechadas. Veja um caso típico: leia clicando aqui, onde uma diretora de escola chamou a polícia para impedir ao tio de criação de um aluno o acesso à reunião. Ela só permitiu a presença da mãe biológica, analfabeta funcional, cuja fala foi cortada logo nas primeiras palavras e que foi levada a assinar a ata de expulsão sem ler... O pior foi que o policial chamado tentou intimidar o tio do aluno, dizendo que poderia levar o sobrinho algemado. Veja o despreparo de nossos policiais, capazes de levar para a delegacia um aluno menor de idade, apenas para agradar a uma diretora de escola!

NÃO ASSINE QUALQUER DOCUMENTO ACEITANDO A EXPULSÃO DE SEU FILHO: ELE TEM DIREITO AO ACESSO E PERMANÊNCIA NA ESCOLA, DE ACORDO COM O Art. 53 DO ECA E TAMBÉM COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

E nossa mídia caolha ainda se espanta que haja tantos jovens fora da escola!

02 outubro 2012

A voz do educador 1 - Contra a expulsão de alunos


Estamos inaugurando uma nova seção, dando voz aos educadores que nos escrevem apoiando os alunos. Infelizmente são poucos e essa é a diferença entre o professor e o educador. Segue o depoimento de Marina, diretora de uma escola pública de Minas Gerais, que se indignou com o caso de expulsão da aluna de Biguaçu:

Estou Diretora de uma Unidade de Ensino onde somos eleitos pela comunidade escolar....e minha prática é de conquista dos estudantes, é de atitudes inclusivas...  não entendo como essa diretora consegue agir dessa forma. Olha que enfrento situações delicadas com alunos... mas jamais passa pela minha mente a exclusão... não meço esforços para ajudá-los... conquistá-los... motivá-los.... e sei que não há respaldo em lei para expulsão.... e depois a função da escola não é essa... eu realmente não entendo nem aceito. Se marginalizarmos nossos adolescentes, quem estenderá a mão a eles?

A mídia só tem publicado casos de aluno agredindo professor, sem levar em conta que esses casos são a exceção e não a regra. Infelizmente a escola pública é uma instituição blindada e o profissional da educação é por princípio considerado um mártir. Se  houvesse transparência a respeito do que ocorre dentro das salas de aula, seria possível medir a proporção de alunos que realmente tumultuam o ambiente. Quantos seriam? 2 por cento? 5 por cento? Então por que generalizar, Sra. Maria Cristina Poli? Tem mais: muitos alunos são provocados a fim de justificar sua expulsão e, muitas vezes, diretores e professores irresponsáveis incitam os jovens uns contra os outros. Essas manobras são extremamente comuns e os alunos não sabem identificá-las nem se defender delas, como por exemplo quando um professor ou diretor chama  uma mãe em particular e a "alerta" sobre o perigo da amizade de seu filho com o aluno "tal", chamado de "laranja podre", "da pá virada", "delinquente", "vagabundo" etc. Pronto! Essa mãe vai falar com outra, que também vai falar com outra e está armado o tumulto. Se você não acredita que um diretor de escola possa usar esse tipo de expressão, leia clicando aqui e veja como, além do linguajar chulo, uma diretora pode ser também mentirosa e perversa.

Para a diretora Marina, nosso obrigado e muitas flores, mesmo virtuais!

Aluna expulsa em Biguaçu, SC

Segue mensagem recebida de uma mãe de aluna de Biguaçu, SC. Mais uma aluna tratada como delinquente, em uma rede de ensino falida! Essa mãe recorreu ao Conselho Municipal de Educação e vamos acompanhar o caso:

Sr. Presidente do Conselho Municipal de Educação

Sr. Presidente, venho por meio desta carta solicitar esclarecimentos sobre em que situações um aluno ou uma aluna podem ser expulsos da escola.

Sei que uma expulsão precede de diversas ocorrências devidamente documentadas (atas), e devidamente assinadas pelas partes envolvidas. Tenho conhecimento também, que há prerrogativas de expulsão quando o aluno ou aluna portam drogas ou fazem usos das mesmas no ambiente escolar, portam armas na escola, roubam a escola e os colegas, agridem professores, ou seja, colocam em risco a vida das pessoas no ambiente escolar.

Tenho uma filha de 15 anos, que estava cursando a 8ª série na EEB Professor José Brasilício, digo, cursando porque minha filha foi expulsa da escola há uns 15 dias, por se desentender com uma colega.

Sei que minha filha é uma adolescente ativa, irreverente, desassossegada, mas minha filha é uma adolescente do bem. Não agrediria jamais um professor ou uma professora, portanto, quero ser esclarecida do porquê que minha filha foi expulsa. Onde está a escola inclusiva, o direto de minha filha de estar e continuar estudando garantido por lei? E o Estatuto da criança e do adolescente?

Posso citar também a lei nº 10.639/03 que rege o cumprimento da educação enquanto direito social, que passa necessariamente pelo atendimento democrático da diversidade étnico-racial e por um posicionamento político de superação do racismo e das desigualdades raciais. Que nesse quesito altera a lei nº 9394/96.

Minha filha, Sr. Presidente, foi tratada como uma criminosa pelo segurança da CASVIG que trabalha na escola, quando foi levar o irmão menor. Será que está embutido nessa atitude algum tipo de preconceito?

Que mal irreparável cometeu minha filha à escola, que a fez perder o direito inerente, enquanto adolescente, de continuar estudando e se formar com seus colegas de turma?

E que lei é esta que permite a EEB Professor José Brasilício expulsar uma aluna de seu quadro discente?

Quero, Sr Presidente, que a Equipe Diretiva da escola me prove que minha filha é uma péssima pessoa, absurdamente violenta ao ponto de, efetivamente, não ter mais o direito de continuar estudando. Que minha filha coloca em risco a segurança da escola.

Se me provarem eu aceitarei a expulsão, sei a filha que criei, é faladeira, é ativa demais, mas minha filha não é violenta para ser tratada como uma criminosa, uma bandida. É uma menina franzina, não é perigosa.

Atenciosamente

Ivone da Silva

Segue também documento de profissionais da escola apoiando a aluna, como sempre, com medo de se identificarem devido a retaliações:


ALUNA DE 15 ANOS É EXPULSA DA EEB PROFESSOR JOSÉ BRASILÍCIO – BIGUAÇU.

Em um momento em que se vê a imprensa televisiva mobilizada com as questões que envolvem a Educação Escolar, e que se tem consciência que o adolescente precisa ser incentivado a estar em um modelo de escola do séc XIX quando ele é um aluno do séc XXI. Que para se constituir um verdadeiro cidadão o caminho mais preciso é o da escola. Que a escola é um direito e dever de toda criança e todo adolescente, lei nº 9394/96, como também “promulgada, em novembro de 2009, a Emenda Constitucional nº 59, que, entre outras coisas, alterou o art. 208 da Constituição Federal, tornando obrigatória a educação básica dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, e deve ser implantada progressivamente até 2016.”

Questiona-se:

Onde está o Conselho Tutelar que aprova a atitude dessa diretora Grasiela Monteiro, a perseguir uma adolescente, franzina, inofensiva, por se desentender com uma colega de sala, até chegar ao ponto de expulsa-la? Em que século vive a mente dessa diretora?

Adolescentes se estranham, mas a equipe diretiva é a adulta nessa história, e está na direção para nortear o melhor caminho para se resolver impasses.

Onde está a Promotoria da Infância e Juventude de Biguaçu?

Onde estão, diretora Grasiela, as leis que regem o ensino e que dão a essa adolescente o direito de estar e continuar estudando?

Onde está, diretora Grasiela, o Estatuto da Criança e do Adolescente? Sua atitude contraria os pressupostos da educação inclusiva dispostos pelo Ministério da Educação (2001) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº. 8.069/90, capítulo IV, artigo 53, parágrafo primeiro e segundo que afirmam “igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola” e “direito de ser respeitado por seus educadores”.

Onde entra nessa história a Secretaria Estadual de Educação, seus órgãos responsáveis pelo município de Biguaçu? Ou a Escola Estadual Básica Professor José Brasilício se rege por leis próprias?

Que adolescente extremamente do mal é esta que até o vigia da CASVIG lhe disse barbaridades, ameaçando-a como se fosse uma bandida da pior espécie?

Será que esta adolescente entrava na escola portando armas, fazendo uso de drogas ou roubando os colegas e a escola para justificar a expulsão?

Quem é o vigia da CASVIG, onde aprendeu a lidar com adolescentes para impedir que a referida aluna tocasse na grade da escola quando foi levar seu irmão menor?

Que escola é essa, que ganha a Campanha do Desarmamento Infantil, (cabe aqui um parênteses, a referida aluna levou sete armas infantis, e teve que assistir ao show do prêmio pelo lado de fora) patrocinada pelo Governo Federal e promovida pela Band FM e trata uma aluna como se fosse uma criminosa da pior espécie?

Orientamos a imprensa a fazer uma entrevista com a aluna Jéssica Rodrigues Amorim, de 15 anos, cursava a 8ª série, no turno vespertino, filha de Dona Ivone da Silva, residente em Biguaçu, para verificarem que é uma adolescente desassossegada e irreverente, como a maioria dos adolescentes. Articula-se muito bem, sabe o que é certo e o que é errado, está preocupada pelo fato de há 15 dias não freqüentar a escola, apavorada por não poder se formar com seus colegas e por ter sido tratada como uma criminosa.

A EEB Professor José Brasilício é a única escola no Brasil que pode expulsar alunos? Onde está essa lei?

Grasiela Monteiro, informe-se dos seus direitos e deveres enquanto membro do corpo diretivo de uma instituição de ensino.

Grupo de colegas ( Não podemos nos identificar para não sofrermos retaliações ).



01 outubro 2012

Massacre do Carandiru: 20 anos de impunidade





20 anos após o massacre do Carandiru, vemos as prisões tão lotadas quanto naquela época. Nossos jovens presos por qualquer motivo banal e misturados com presos perigosos. O que poderão aprender numa cadeia? Que nunca mais terão a chance de se reintegrar à sociedade, aquela chance que já lhes foi tolhida quando foram expulsos da escola?

Veja como a situação é delicada: 

"O país tem a quarta maior população carcerária do mundo. São mais de 500 mil presos, literalmente espremidos num complexo penal em que há um crônico déficit de 200 mil vagas. É uma equação perversa: aplicados na prática, estes números se traduzem numa desumana taxa de ocupação de 1,65 preso por vaga (relação que, na América do Sul, só é superada pela Bolívia, com 1,66).

Em algumas unidades a média explode: no presídio Aníbal Bruno (PE) vai a 3,6 detentos por vaga, e no complexo de Pinheiros (SP) a taxa alcança 2,9. No Presídio Central de Porto Alegre chega a 2,2, a mesma relação presos/vaga do Carandiru à época do massacre de 111 presos, em 1992."
Fonte: O Globo

O que as autoridades estão esperando? O que elas construíram durante esses 20 anos? Será necessária uma outra tragédia para que finalmente alguém acabe com essa vergonha internacional que é o nosso sistema carcerário?